Morar sozinho em sociedade é daqueles paradoxos que me tiram o sono. Nos rodeamos de tecnologias e gentes e mesmo assim nos sentimos sós. A vida em sociedade, no urbano, nos promete luzes e facilidades. Não necessariamente de felicidades. O concreto te protege do frio mas também te isola dos confortantes humanos próximos. Nossas cavernas modernas poucas vezes tem fogueiras, e as que tem fogo vivo não tem o sentido de grupo pertencente, pois nossa sociedade é um grupo de anônimos. Mesmo aqui em Porto Alegre, a eterna província, que é um cú no sentido dos conhecidos, um orkut de relações, somos próximos em paicas ou léguas mas distantes nas barreiras que mesmo nos impomos.
Pertencemos a uma identidade, somos todos gauchos, nem todos comem carnes mas quase todos torcem por um time. E nesse vitorioso grenal colorado fui bem sucedido. Me senti mais em casa, me dei o direito de achincalhar os co-irmãos, identificando o inimigo e me aproximando do meu grupo.
Encontrei vizinha minha ontem cantando com voz SAGRADA um chico buarque eterno. Essa voz dotada mora a poucas paicas de mim e mesmo assim foi necessário mais de dois anos para ouvir. Eu fico pensando o que há em outras vizinhanças norte-americanas ou européias que eu posso não conhecer. Desejo viajar.